Depoimento de Raquel
RESUMO DA ENTREVISTA REALIZADA EM 20/10/2000 COM RAQUEL DE BRITO BORGES - IMPRESSÕES SOBRE O ENCONTRO INTERNACIONAL DA JUVENTUDE - UNESCO Matéria: Representar os estudantes brasileiros no encontro da Coréia, ao mesmo tempo em que deixou Raquel extremamente honrada lhe conferiu uma responsabilidade muito grande, pois, para ela, esta representação não adquiriu um tom pessoal, mas sim, lhe conferiu a delegação de representar oficialmente seus colegas, sua escola e seu país. Num primeiro momento, o que mais chamou a atenção de Raquel foi a grande variedade de jovens de todos os países e continentes. "Éramos um grupo de jovens representando 30 países, muitos dos quais eu tinha poucas informações. Mas de qualquer forma, logo deu para perceber que a juventude tem uma linguagem única, universal, e todos que ali estavam possuíam uma formação acadêmica muito boa. Além disso, como eu, todos estavam bem preparado para o encontro." Segundo o relato de Raquel, a organização do encontro e sua estrutura de funcionamento em muito facilitaram a troca de informações entre os participantes. Foram realizadas inúmeras apresentações referentes à cultura dos países participantes. Cada delegado levou para o encontro uma manifestação artística ou cultural representativa de seu país. "Eu fiz uma performance musical baseada na Aquarela do Brasil", diz Raquel, "uma passagem por toda a nossa cultura e, dentre tais manifestações, uma referente à festa de Parintins do Amazonas. Todos os presentes ficaram encantados, adoraram a roupa, o ritmo e a sonoridade de nossa música." Organizaram-se quatro grupos de debates sobre os temas que compunham o programa do encontro. "Meu grupo discutiu sobre a questão da promoção da coexistência e do preenchimento de lacunas culturais. Fizemos três reuniões de discussão, preparatórias para os relatos das conclusões dos grupos na plenária geral do encontro, onde cada grupo faria o relato de suas conclusões sobre o tema discutido em conjunto. Eu fui a escolhida pelo meu grupo para fazer esse relato, o que me deixou, mais uma vez, extremamente honrada com a deferência, numa mostra de que as teses levadas por nós para o encontro realmente iam de encontro às propostas e aspirações do evento." A partir das experiências de cada participante procurou-se extrair questões práticas sobre o papel da juventude na divulgação e preservação das culturas nacionais e ao mesmo tempo aumentar o intercâmbio e a convivência entre as diferentes culturas, dentro daquilo que se propõe o Ano Internacional da Cultura de Paz, ou seja, "como as diferenças culturais, ao invés de desencadear a discórdia entre os povos, podem se transformar num instrumento de união, equilíbrio e paz", afirma Raquel. Outro aspecto importante, segundo ela, é "a necessidade de superação das barreiras culturais, que possibilite um maior conhecimento e promova o entendimento entre a diversidade cultural, fortalecendo desta forma a identidade de cada povo." Dentro deste aspecto, o encontro na Coréia serviu para estimular a relação entre os diferentes povos e culturas e a propensão à convivência, ou seja, "descobrir-se através do outro." Para Raquel esta descoberta foi significativa, "pessoas de continentes, países e culturas totalmente diferentes reunidas num mesmo lugar, tudo para mim era novidade". Mais um aspecto chamava claramente a atenção, "entre os jovens que participavam do encontro as diferenças históricas e culturais, ao invés de se transformarem numa barreira, foram ponto de aproximação. Não havia nenhum tipo de preconceito e vigorava o respeito em relação à diversidade." Segundo os organizadores do encontro e os representantes da UNESCO, as expectativas foram superadas, tanto em organização quanto em conteúdo daquilo que foi discutido. Além dessa organização perfeita, Raquel chama a atenção para outros dois pontos importantes dos dias passados em Kyongju, "em primeiro lugar, a experiência brasileira de convivência entre diferentes povos e culturas foi muito considerada". Outro aspecto importante foi a discussão sobre o papel da juventude na preservação da memória e da cultura nacional, ao mesmo tempo em que salientou-se a necessidade de aumentar ainda mais o intercâmbio entre os povos de todas as nações. "Nós jovens, devemos assumir o importante papel de reivindicar firmemente dos governos a tomada de atitudes políticas coerentes com o fomento da paz através do desenvolvimento sustentável". Os debates sobre o meio ambiente e uma cultura preservacionista também foram levados a plenário. A Amazônia e seu papel no ecossistema mundial foi muito discutida e os jovens reunidos na Coréia apontaram para o fato de que cada vez mais a questão ambiental se transforma num ponto crucial para o futuro. A partir dos relatos e decisões tomadas no encontro, está sendo elaborado um documento, que será lançado mundialmente pela UNESCO, como manifesto dos jovens para o próximo milênio. A UNESCO estará promovendo outros encontros como este para que os jovens tenham espaço para intervir nos rumos da humanidade. Raquel de Brito Borges levou ao encontro da Coréia toda uma experiência de estudo e de vida, principalmente aquelas referentes à sua participação no EDH - Núcleo de Educação para os Direitos Humanos do Colégio Guilherme Dumont Villares - que lhe deu os subsídios necessários para as discussões sobre o papel social dos jovens. "Para mim foi importante ver jovens do mundo todo engajados nessa questão, buscando canais de participação e isso abre novos horizontes. Cada país dependendo de sua realidade sócio-econômica, tem estimulado uma ação diferente dos jovens. Deu para perceber que nós estamos trilhando um caminho que hoje está presente em todas as partes do mundo, independente do grau de riqueza ou pobreza de um país, e que o jovem, através da ação social ou do trabalho voluntário, tem conseguido um espaço de participação na sociedade." Ela se sente recompensada e está ciente de ter feito o melhor para representar o Brasil no encontro. Dentre dezenas de atuantes jovens estudantes de nosso colégio, Raquel foi aquela a quem coube a tarefa de representá-los neste encontro. "Tenho certeza que todos os meus colegas do Colégio Guilherme Dumont Villares reúnem ótimas condições morais e intelectuais para representar os anseios da juventude brasileira, o fato de ter sido indicada me deixou profundamente honrada e em todos os momentos procurei fazer o melhor e espero ter representado com dignidade nossa escola, meus colegas e nosso país. Agradeço ao colégio e a todos aqueles que tornaram possível essa experiência maravilhosa em minha vida, especialmente a Deus e à minha família." Sobre a Coréia, uma última palavra: "eu amei a Coréia. Quero voltar para lá, pois o povo é muito alegre, muito solícito e te recebe muito bem, procurarei sempre cultivar as amizades que lá foram deixadas." |
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